Qualquer
pessoa tem o direito de ficar zangado. Mas, zangar-se nem sempre nos deixa em
situação confortável. As palavras do filósofo Aristóteles trazem verdades
consideráveis: “ficar zangado com a pessoa certa, no grau certo, na hora certa,
pelo propósito certo, de modo certo, não é fácil”.
Não
é fácil lidar com a raiva direcionada a outra pessoa, mas, o que fazer quando a
gente se zanga com a Igreja? Há muitos motivos que nos levam a ficar zangados.
Desses, destacamos alguns. O primeiro motivo, muito comum, é quando me zango com
a Igreja porque estou zangado com Deus. É aquela situação em que no momento de
uma tragédia pessoal, pessoas sentem-se desamparadas ou injustiçadas. Assim,
brigam com Deus e acabam descontando na Igreja. Vingam-se da Igreja porque
querem atingir a Deus.
O
segundo motivo é que pessoas brigadas com a Igreja, muitas vezes, brigaram
consigo mesmas. São aquelas que têm baixo auto-estima, não encaram bem seus
sentimentos e brigam com todos, inclusive com uma instituição. Outras pessoas
brigam com a Igreja porque não concordam com sua doutrina sentem-se desafiadas
em suas opiniões. São as que dizem que a Igreja não pode ditar o que se deve
fazer ou não. Casos de moral como aborto e outros são os que mais provocam esse
tipo de motivo.
Há
ainda as que brigam com a Igreja porque se zangaram ou se magoaram com um bispo,
padre, ministro ou até mesmo o papa. Esquecem que membros da Igreja não são o
todo da Igreja, mas apenas uma porção dela. Pessoas que brigam por esse motivo,
esquecem que a Igreja é muito maior do que qualquer membro.
É
preciso ter em mente que quando a Igreja falha em sua missão de solidariedade,
de amor, compaixão ou deixa a injustiça entrar nela, então ela pode, com toda
razão, ser questionada. Mas, dizer que brigou com a Igreja por causa de padres,
freiras ou membros que atuam na Igreja não ajuda em nada. Zangar-se com alguns
membros é diferente do que punir a Igreja toda.
A melhor maneira de resolver essa situação é resolver a raiva com aqueles
que estão envolvidos, não simplesmente abandonar tudo e fugir. Deixar a Igreja
pode ser uma atitude não muito sábia, pois isso nos leva a aumentar a dor e o
sofrimento e pode nos deixar isolados e sozinhos. Na hora da raiva, a
honestidade é a melhor saída. Se formos nós que criamos esse “monstro” chamado
raiva, também seremos nós a primeira vitima dele. Raiva é como veneno, quanto
mais aumenta, mais envenenados ficamos. Nada melhor que a reconciliação. Ela é o
antídoto contra a raiva.
Se
formos ofendidos pela Igreja, nada melhor que perdoar a Igreja. Se ofendemos a
Igreja, nada melhor que pedir perdão a ela. Podemos fazer isso de modo muito
simples, dialogando com as pessoas envolvidas. Antes, é muito importante rezar.
A oração nos coloca em contato com Deus, conosco mesmo e com os nossos mais
profundos sentimentos. A oração nos leva a avaliar a raiva e a determinar o que
fazer com ela. Deus, o protagonista de nossa oração, irá, do modo mais sábio
possível, nos ajudar pela oração a entrar em contato com a raiva e fazer dela o
que for melhor para nós. Pense nisso!
Pe.
Gelson Luiz Mikuszka, C.Ss.R
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